segunda-feira, 14 de maio de 2007

Respondendo à Morgane e à Mishi.

Querida Morgane, o que estou a tomar acaba por não querer dizer nada. Por exemplo, em tempos tomei Prozac, com que a Su está a ter óptimos resultados no que respeita à compulsão alimentar, e não me dei bem. Aqui, é mesmo caso para dizer que cada cabeça funciona à sua maneira. Mas acho que sim: deves procurar ajuda se não consegues resolver o problema sozinha - como em qualquer circunstância da vida...
Querida Mishi, pois, creio que te compreendo. Mas tenho um pavor imenso de cirurgias, além de que não distingo as diversas técnicas: balões, bandas, etc. Por outro lado, tanto quanto leio, não se sabe exactamente quais são os efeitos dessas técnicas a prazo, uma vez que se trata de recursos recentes. Além de que pelo menos uma dessas técnicas intrusivas (não sei qual) acarreta riscos de vida não negligenciáveis, segundo as estatísticas. Vá-se lá saber o que é melhor para nós - se o que escolhemos, se o que podíamos ter escolhido...

sábado, 12 de maio de 2007

Uma vela em pensamento, para que nunca mais.
Acendamos uma vela interior pela libertação de Maddie
e de todas as crianças cobarde e inaceitavelmente cativas e maltratadas.

Paz na Terra aos homens de má-vontade.

Alívio.


Redescobri uma dimensão da minha vida com que há muito, muito tempo, não convivia: há dois ou três dias que não sei o que é viver a pensar em (não) comer. Simplesmente não tenho fome. Isto é, como o suficiente e fico bem, não preciso de mais, nem de pensar nisso, nem de me debater comigo mesma. É um alívio tão grande que só o pode compreender quem se confronta ou confrontou com os fantasmas da compulsão irracional. Apesar das tremuras, das insónias, da nuvem mental e do resto. É como se fosse uma libertação (ainda que química). Será, como diz a minha médica, um pequeno barco para ajudar a atravessar o rio?

sexta-feira, 11 de maio de 2007


À Su.


"Minha cara, nada de fundamentalismos. Tb eu passei a tremer que nem varas verdes. Quando sou confrontada com tal realidade, respondo que estou com frio... São os custos dos 5kg que perdi neste mês de toxico(in)dependência, como tão bem lhe chamas :)Não sei qual é a maravilha do fármaco que estás a ingerir. Eu tomo uma dose tripla. Sim, isto à dúzia deve ser melhor e mais barato: fluoxetina (genérico do prozac) + topiramat(antiepiléptico) + 1 bomba para dormir um soninho composto. Este último nem sempre tomo. Só quando estou com a tal insónia ou com uma fome brutal.Uma coisa é certa: as minhas emoções e a minha voracidade estavam descontroladas. Com mais ou menos tremeliques, a coisa está a entrar na normalidade. Abençoadas drogas!"

Antes de mais, acabei de tomar a segunda dose. Valha-me Deus, que seja o que ele quiser. Estas coisas dos fármacos 'vareiam' muito de pessoa para pessoa. Em tempos não muito distantes, algo complicados, a minha médica achou que eu estava triste e ansiosa e receitou-me Prozac. Uma amiga jurava que alguns meses de Prozac lhe tinham salvado a vida, mas eu aguentei aquilo não mais do que três semanas: passava os dias a dormir em pé, não tinha energia para pensar (trabalho com a cabeça), tudo passava lá muito ao longe... desisti. Qualquer que seja a minha disfunção, aquele não era o remédio. Depois disso, a médica convenceu-me a tomar Zoloft: deixei de dormir (eu que sempre dormi que nem uma pedra), perdi a líbido, andava esfuziante como se estivesse numa festa permanente... desisti numa semana. Este princípio que me foi agora receitado chama-se "duloxetina". Vamos ver no que dá. Para já, um único comprimido implicou alterações do sono para duas noites, alteração da líbido, as tais tremuras, incapacidade de concentração mental... As tremuras e os outros sintomas reduziram com o tempo, Su? Ou permanecem tal e qual...? Beijos!

quarta-feira, 9 de maio de 2007


O peso das drogas leves.

A minha médica de família, pessoa que muito aprecio, convenceu-me a drogar-me. Isto é, sou daquelas que até a tomar uma aspirina resiste, não sei se estão a ver o género, quanto mais um ansiolítico, um anti-qualquer coisa, enfim, um drunfo.

Mas, desta vez, cansada também de mim, disse que sim. Apesar de todas as minhas crenças e pré e pós-conceitos sobre estas drogas, lá me decidi a tomar, ontem, um comprimido milagroso, que diz que é novo e tal. De facto, tiro e queda: estive todo o dia bem disposta, light (até achei normal que o meu filho se tivesse esquecido, como sempre, de levar o lixo para a rua) e... sem fome.

Ao jantar, custei a engolir um prato de couves-de-bruxelas (sem tempero) e nem consegui acabar um pequeno bife de atum. Inédito. O problema foi de noite, que passei numa espécie de antecâmara da insónia, meia a dormir, meia acordada. Acordei estranha, como se me tivesse passado um comboio por cima mas estivesse, ainda assim, cheia de energia. E, durante a manhã (decidi só voltar a tomar o milagroso amanhã), quem é que diz que me conseguia concentrar no que lia... Além de que as mãos me tremiam como se fosse alcoólica, mal conseguia escrever.

Ó Su, tu que te converteste à toxico(in)dependência por esta boa causa, diz-nos lá da justiça da tua experiência!

Já deram os parabéns à Mishi?

Se ainda não deram, ainda vão a tempo. Mas creio que a melhor forma de celebrarmos com ela é seguir-lhe o exemplo, tanto de perseverança quanto de alegria.


Outro abraço para ela.

Equilíbrio.


Respondendo à Mariana do Brasil.


"Olá,encontrei seu blog por acaso, navegando pela internet e gostei muito...creio mesmo que uma fase oral com alterações causam adultos com transtornos alimentares..queria fazer uma perguntinha...qdo vc se ve normalmente, vê-se gorda? tenho um sério problema de olhar o espelho e não encarar a realidade, principlamente em casa mas quando estou em lojas e principalmente em fotos eu paro e penso "nossa, mas eu estou assim mesmo?" custa a crer...enfim...alguem já lhe contou algo do genero?um abraçoMariana"

Sim, Mariana. Tenho exactamente a mesma percepção. Só me vejo gorda quando me vejo em fotos. Aliás, tenho ainda a dificuldade acrescida de nem sempre ter sido gorda, pelo que continuo a "ver-me" como comecei por me conhecer. Já falei nisto num post anterior, em como o facto de termos uma imagem distorcida de nós mesmas pode implicar uma falta de incentivo para prosseguir com uma dieta - pois, se não nos vemos gordas, vamos querer mudar o quê?!

E agora?

Molho leve e irresistível.

Ando fascinada com a descoberta de uma receita de molho para saladas que fiz recentemente. Creio, aliás, que já vi uma receita parecida num dos vossos blogs. Para quem, como eu, gosta de sabores fortes, esta é uma excelente maneira de comer salada. Então o molho é assim: mistura-se um iogurte natural e magro com um pouco de maionese light (podem variar entre pouca maionese ou mesmo nenhuma, se forem mais fundamentalistas). Juntem, a gosto, sal, pimenta, alho em pó (ou 'verdadeiro', cortado muito fininho) e "eneldo" (em espanhol, que creio que em português é tomilho). E pronto, é só misturar com uma salada com tudo.

domingo, 6 de maio de 2007

Às cegas.

A minha balança electrónica, toda xpto, pifou. Olha que bom! Tenho agora uma ansiedade a menos. Ou seja, tenho de passar a medir-me com a roupa, ou pela roupa. Por falar nisso, creio que esta saia me está um pouco mais larga na cintura...

Blogs privados.

Sei que sou um tanto desligada, sobretudo daquilo por que não nutro especial interesse, e sou até, na vida, uma pessoa bastante reservada, mas alguém me explica por que razão alguém se dá ao trabalho de privatizar um blog? Digo, um blog de interesse a que podemos chamar "geral", onde se escrevem banalidades do quotidiano, e não exactamente grandes segredos pessoais. É exactamente a contra-essência da Internet. Caramba, como eu gosto das democracias e, quem haveria de dizer, do fluir da luz.

Que se passa com a Cláudia?


Até por ser Dia da Mãe, alguém sabe da Cláudia (http://balanca-ko.blogspot.com/)? Escreveu há já algum tempo um post a dizer que o filho estava doente, com um problema crónico, e depois desapareceu durante algumas semanas. Agora, todos os posts do blog foram apagados. Fiquei um tanto apreensiva.


quarta-feira, 2 de maio de 2007


Trauma da fase oral.

Hoje, na Biblioteca Nacional, passei os olhos por um livrinho antigo do pedagogo João dos Santos. Requisitei-o logo, assim que o vi, porque suspeitei, pelo título, que me pudesse dar pistas sobre a intensidade com que procuro (e encontro) prazer e conforto na comida.O livro, de cujo título me esqueci (e estou com preguiça de ir ver), fala sobre a construção da fase oral da criança e sobre o modo como esta se projecta pela vida fora. Ou seja, da forma como a primeira relação com a mãe (a de nutrição, de satisfação - ou não - do instinto básico de comer) se projecta pela vida do indivíduo. Se esse primeiro padrão de relacionamento correu bem, a relação com a comida não deverá nunca chegar a ser um problema. Mas, se alguma coisa correu mal (só se sente o órgão doente), a criança/adulto tende a denotar a tendência de regressar sempre àquele nó de necessidade e/ou sofrimento. Já tinha falado nisto num dos meus primeiros posts, em como a minha mãe teve de fazer um desmame súbito aos meus dois meses, por causa de uma infecção no peito. E em como chuchei no dedo até à adolescência. Logo a seguir, substitui o dedo pelos cigarros (fumava dois maços por dia). E, finalmente, quando deixei de fumar, engordei 30 quilos. Suponho que, sem ter dado por isso, me tenha atafolhado em comida. Tudo via boca. Trauma da fase oral?
E vocês, alguma vez averiguaram a vossa relação com o desmame? Ou a forma como se relacionavam com a comida na primeira infância? Alguma pista que se possa relacionar com a compulsão alimentar de hoje?
Cores da dieta do dia (so far):
Salada de fruta
Bacalhau/cebola/bróculos/grão/azeite
(ataque de compulsão pós-almoço: quatro cubinhos de chocolate + meio pãozinho com queijo)
Rissol
Sopa+peixe-espada grelhado+laranja

A dieta às cores.

Ai de mim! A minha mãe chegou hoje do Alentejo para passar uns dias. Espero conseguir resistir mais ou menos heroicamente. Hoje comi coisas estranhas. Tive um dia muito comprido (das oito da manhã às 20h30), preenchido e stressante, do que resultou, por ordem de entrada em cena: meio pãozinho integral com um pacote pequeno de manteiga de alho; uma sandes de paio em pão integral; uma sopa; uma fatia de tarde de alho francês com legumes sem tempero; um panado no pão; um gelado (251 cal.) + 1 sopa materna + ervilhas (sem ovos) + uma fatia de bolo de amêndoas (que a minha mãe trouxe, por eu gostar muito) + uma rodela de paio que veio de não sei onde. Moral da história: comam como eu digo, não comam como eu comi. Shame on me.


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